quinta-feira, fevereiro 23, 2017

A vida, a terra e outras considerações...

Afinal só o conheci no dia 21, veio com a primavera! Para nos mostrar que 4 é ainda melhor que 3 (quando três já era perfeito).

Ser mãe é uma experiência maravilhosa, e antes disso preparam-nos para muitos detalhes, excepto a sensação do tempo. E agora?
Ultimamente penso muito na vida. Quando o José nasceu, pensei que queria viver pelo menos os primeiros 18 anos do rapaz, acho que a falta de pais é sempre traumatizante, são essenciais sempre, e fundamentais até se compreender ou aceitar a falta deles. Foi quando me apercebi que antes deste acontecimento não via a necessidade de tais pensamentos, vivia para sempre pensava eu, ou vivia o dia, não era importante. Notei que, já não iria fazer na vida todas as coisas com que tinha sonhado. E sim, foram precisos passar mais de 30 anos na vida para pensar, olha, nunca serei astronauta. Nunca serei mergulhador ou explorador. Não serei o profissional de sucesso que as séries da minha infância e adolescência vendiam, e que eu queria afincadamente ser como se o ar que respiro dependesse disso. E foquei-me nas coisas que nunca seria. Fiquei triste pela sensação de marca temporal. Entrei numa espiral de pensamentos negativos. Porque não me tinha apercebido do tempo a passar (será que o aproveitei como devia?).
 Olho para os filhos fantásticos que tenho, marido, família, amizades e penso, what if it is as good as it gets?
Esta semana a NASA noticiou a descoberta de planetas com potencial para a existência de vida... dei por mim a pensar, 40 anos-luz. Não saberei nunca se lá vamos chegar. Não será no meu tempo de vida... 

Como é que se vive ou se morre sem saber? que injustiça... 

No outro dia dei por mim a pensar, os outros sabem que as pessoas morrem, mas a pessoa em si nunca chega a saber... 

Toda a vida soube destas coisas, mas só há pouco tempo tomei consciência delas. E agora? Como se apaga esta consciência indesejada e incomoda e se volta à vivencia despreocupada ou semi-despreocupada? Como volto a acreditar, naquilo que quero que os meus filhos acreditem, que podemos ser tudo o que quisermos desde que nos empenhemos para isso?

Quanto tinha 17 li um pouco de Nietzscheuma frase que me marcou foi (esta tradução não é a mais bonita mas é a que estava à mão):

"E eu, que estou bem com a vida, creio que para saber de felicidade não há como as borboletas e as bolhas de sabão, e o que se lhes assemelhe entre os homens."


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